quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sociedade Peruana de Cardiologia

Leslie Aloan, Presidente do INASE
Dia 5 de setembro estaremos recebendo o Dr. Juan Vlasica, Presidente da Sociedade de Cardiologia do Peru. Portanto, esses laços com o país irmão se estreitam e, por isso, apresentamos aqui uma breve história da criação da Sociedade Peruana de Cardiologia.
De acordo com Carlos Rubio W., Presidente Honorário da Sociedade Peruana de Cardiología, a  base da educação da Faculdade de Medicina da Universidade de San Marcos, em Lima, até a Segunda Grande Guerra, era orientada com as diretrizes da escola médica francesa. Com o correr do tempo, surgiram o estetoscópio e o aparelho para aferir a pressão arterial. A fluoroscopia, o raios-X do tórax em três posições, o electrocardiograma, avançavam e facilitavam o estudo do coração.
Em 1943, Matthias Ferradas, trabalhando na sala 4, recém-chegado dos Estados Unidos, tinha recebido treinamento de cardiologia com Paul D. White, fundador da escola Cardiologia e Thomas Lewis, que por sua vez foi aluno e colaborador de Eithoven no início do século XX. Matías Ferradas trouxe para o Peru em 1942, o ECG .
Em 1946, ao lado de um grande número de cardiologistas, Rafael Alzamora, Aurelio Vasquez Mispireta Augusto G., Pedro Moyano, Pedro Roggero, Guibovich Carlos Perez, Roberto Valenzuela Delgado, Carlos Ruiz Estrada, Guido Cornejo, Guillermo Coll, Pedro Rodríguez Mejía e Marcos Roitman, depois de um treinamento nos Estados Unidos voltou a Lima para se juntar à Sala San Jose.
Victor Alzamora Castro fundou em 1944 o ambulatório de cardiologia, precedendo a fundação da Sociedade Peruana de Cardiologia.
Em 1947, o  Congresso Intercardiológico ocorreu em Havana. O cardiologista Andrés Rotta solicitou o ingresso do Peru, que foi negado pela organização do evento. Retorna ao Peru e com Rafael Alzamora e com diversos grupos, decidiram fundar a Sociedade Peruana de Cardiologia.
Após reuniões preparatórias nas instalações da Academia Nacional de Medicina, em 12 de março de 1947 foi assinado o "Ato de Fundação da Sociedade Peruana de Cardiologia", sendo declarados membros fundadores 22 profissionais médicos que assinaram a ata. Eles produziram a eleição do Conselho de Administração. Rafael Alzamora como presidente e Andrés Rotta como vice-presidente, que organizou e canalizou a atividade científica cardiológica para a criação do Instituto Peruano de Cardiologia.
Hoje, Juan Vlasica preside a Sociedade durante o biênio 2014-2015, e é nosso convidado para proferir a Palestra “Acompanhamento por cinco anos da Hipertensão Arterial, Diabetes e Dislipidemias no Peru, em cidades da costa, selva e montanhas”, próximo dia 6 de setembro, no Auditório do INASE.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A arte da Medicina ou a Medicina baseada em evidências?

Leslie Aloan, Presidente do INASE

A história da Medicina relata a existência de médicos no Egito, como Imphotep, médico e arquiteto do Rei Zozer que teria vivido em torno de 2.600 a.C., e após a sua morte foi considerado o Deus da Cura.
Estes conhecimentos foram obtidos de papiros que datam principalmente de 1.900 a 1.500 a.C. demonstrando que estes  médicos, por não possuírem o conhecimento das patologias, atribuíam-nas a seres espirituais e o tratamento era feito com o emprego de poções mágicas para afugentar estas entidades. O Deus Bes era o ente solicitado nestas curas. No entanto, o conhecimento avançava como fruto da educação e observação, registrados no famoso papiro Ebers, escrito por volta de 1.500 a.C., e  descoberto em Tebas em 1870. Representa o mais antigo compêndio médico conhecido do Egito, provavelmente da Humanidade.
A palavra medicina vem do latim, ars medicina, que significa arte de curar. No entanto, a definição de arte, desaparece nos grandes dicionários. Houaiss define ”considerada por alguns uma técnica e, por outros, uma ciência”. O Dicionário Oxford da Língua Inglesa define “ciência ou prática do diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças”.
No III Milênio, estará a Medicina como arte realmente ultrapassada? Sucumbiu a tecnologia? Se tornou simplesmente uma coleção de conhecimentos e habilidades de ordem técnica?
Para interpretar estas perguntas e tentar elucidar uma resposta, entendemos que toda arte, não importa em qual dimensão, ou em que tempo, envolve: maestria, individualidade, humanidade.
Maestria envolve mais do que experiência, conhecimento. Maestria representa mais perícia, sabedoria, discernimento. Maestria envolve, ainda, humildade para ouvir, aprender, estudar, questionar e mudar de opinião. Significa erudição, sabedoria, saber, destreza, habilidade, mestria, perfeição, perícia, aptidão, qualificação. Ser mestre na ampla acepção da palavra.
A individualidade e a humanidade, só se entende caminhando juntas, focando com a responsabilidade de alguém que não só decide, mas aplica a maestria, com sentimentos que não aprendeu na Escola Médica. A arte depende dele, de compreender o indivíduo em toda a sua dimensão. Isso não se aprende nos bancos acadêmicos. É intrínseco. É arte.
É uma arte ter a capacidade de extrair a informação mais relevante dentro de um emaranhado de sinais, sintomas e resultados de exames complementares para decisões em relação ao tratamento, levando em consideração a realidade individual de cada paciente.
Isto ultrapassa o conhecimento da Ciência Médica, que fazem parte da rotina de um médico. Desde 1980, quando aconteceu o primeiro estudo cooperativo, e abria o Capítulo da “Medicina baseada em evidências”, que subjugou por décadas a “Medicina baseada em experiências e na arte de tratar”.
Portanto, a combinação de conhecimento, intuição, sensibilidade, compreensão e capacidade de decisão, que define a Arte da Medicina e é tão ou mais importante que uma forte base científica.
Isto se exemplifica pela proporção de médicos envolvidos com a arte.  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

INASE inicia projetos na prevenção de drogas ilícitas

Leslie Aloan, Presidente do INASE

O Instituto Nacional de Assistência à Saúde e à Educação deu mais um passo em sua caminhada em julho passado e ultrapassou as nossas fronteiras. Mais exatamente, a fronteira com o país irmão, o Peru. Tratou esta semana de ações conjuntas Brasil-Peru, no combate e na prevenção de drogas, com as autoridades peruanas.
Este esforço vem sendo perseguido desde 1999, conforme o decreto nº 4.437, de 24 de outubro de 2002, que promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Peru sobre Cooperação em Matéria de Prevenção do Consumo, Reabilitação, Controle da Produção e do Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas e seus Delitos Conexos, celebrado em Lima, em 28 de setembro de 1999.  A matéria evoluiu com outras tentativas legais e militares.
Em abril deste ano, o Brasil e o Peru fortaleceram os controles policiais em sua extensa fronteira de 2.800 km para combater o intenso tráfico de drogas e de insumos químicos do narcotráfico, informou neste mês a agência antidroga peruana, a Devida (Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas). Houve um intenso patrulhamento no rio Yavarí, na fronteira com o Amazonas e o Acre. Além de reforçar as patrulhas na fronteira, aumentaram o intercâmbio de informação de inteligência, no controle da fronteira binacional.
Os narcotraficantes que operam entre o Peru e o Brasil têm principalmente conexões com cartéis mexicanos e colombianos, além das máfias italiana, russa, chinesa e nigeriana. Segundo a agência antidrogas da ONU, o Peru é atualmente o maior produtor da folha de coca e cocaína do mundo. Grande parte da cocaína peruana vai, via Bolívia, para o Brasil e daí para a Europa e a Ásia, onde os preços da droga se multiplicam.
As operações militares serão uma forte e indispensável resistência ao ingresso das drogas no mundo civilizado. Mas os programas de prevenção serão fundamentais, essenciais  e indispensáveis para aqueles que ainda não foram contaminados com esse mal.
Em experiência anterior, o INASE promoveu uma campanha de prevenção do consumo de drogas, com o uso de atividades lúdicas. Trata-se de jogos com temática e foco nas drogas ilícitas, que cativava  e envolvia  não somente as crianças, mas também os pais e toda a família. Um jogo atrativo para entreter e educar toda a família. Uma experiência exitosa.




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Uma rápida história da Cardiologia Intervencionista

Leslie Aloan, Presidente do INASE

Em 2005, por ocasião das comemorações dos 50 anos da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ ), o autor foi convidado a escrever o Editorial comemorativo “Considerações Históricas sobre a Cardiologia no Estado do Rio de Janeiro. Historical Considerations on Cardiology in Rio de Janeiro State”, onde apresentou os principais marcos da evolução da especialidade. Para marcar o Dia do Cardiologista, no próximo dia 14, partilhamos com os leitores, especialmente com os cardiologistas.
 Evolução da Medicina.   Grandes Marcos da Cardiologia
10 de julho de 1893: Daniel Hale Williams, operou com sucesso no Hospital Provident de Chicago um paciente de 24 anos esfaqueado no coração. 
1905: Fritz Bleichroeder introduz cateteres em suas próprias veias até perto do coração
1929: Werner Forssmann atinge a AD com estes cateteres e tem o crédito do primeiro cateterismo cardíaco no mundo.
1959: Mason Sones inicia a coronariografia, em Cleveland.
1967: André Favaloro realiza a primeira revascularização miocárdica, em Cleveland.
16 de setembro de 1977: Andreas Gruntzig realiza a primeira angioplastia no Mundo
No Mundo, em 1844, Claude Bernard cateterizou o ventrículo esquerdo e direito de cavalos, via retrógrada, utilizando a via jugular e carótida.
Foi o primeiro a realizar o cateterismo e a estabelecer a fisiologia cardíaca como é definida hoje.
Em 1905,  Freis Bleichroeder começa a história da investigação invasiva em cardiologia, quando introduziu sondas em suas próprias veias, e por isso merece o crédito de pioneiro, embora este seja atribuído ao jovem estudante de Medicina Werner Forssmann, de 25 anos, que em 1929 em Eberswalde, Alemanha, repetiu este feito, e o  registrou por radiografias de tórax a sonda atingindo a aurícula direita.  Este autor recebeu o Premio Nobel de Medicina em 1956.
Nos anos  40,  André F. Cournand  e  Dickinson Richards desenvolvem o cateterismo direito, aplicando-o rotineiramente. Em 1956, Cournand compartinha do Prêmio Nobel com Werner Forssmann.
Em 1959,  Mason Sones inicia a coronariografia seletiva na  Cleaveland Clinic e em 16 de setembro de 1977 em  Zurich, Gruntzig realiza a primeira angioplastia no mundo, inaugurando a era da Cardiologia Intervencionista.
Primeira angioplastia no mundo
            Em junho de 1979 foi realizada uma reunião histórica no NIHBL, Bethesda, com 34 Centros USA/Europa, com 631 casos apenas  realizados no Mundo, e criado o Registro de PTCA do NIHBL, publicado no  Proceedings on PTCA, March 1980. Este Registro monitorou a técnica oferecendo diretrizes.Avançam as intervenções percutâneas coronarianas, com Costantino Costantini , Curitiba, realizando o primeiro caso no Brasil, em 1979
            A angioplastia com implante de stents metálicos segue-se então:
                        1986: Primeiro stent implantado no Mundo (Sigwart, Wallstent).
                        1987: Primeiro stent no país ( Eduardo de Souza, PalmazShatz).
            Angioplastia com implante de stents farmacológicos:
                        2001: Estudo FIM (Eduardo de Souza, SP).
            As valvoplastias por procedimentos percutâneos desenvolveram-se sobremodo nos anos 80, com valvoplastia mitral e pulmonar, para as estenoses destas valvas. O Implante de valvas percutâneamente iniciou-se em 2002  com Alain Cribier  implantando  a valva Cribier-Edwards (Edwards Lifesciences Corporation, Irvine, Califórnia)  e em julho de 2006, Grube  empregou pela primeira vez em um ser humano  uma prótese valvar aórtica auto-expansível ( CoreValve ) inserida via arterial retrógrada.
            No Brasil, apenas no início dos anos 30 a Cardiologia começa a surgir como área de interesse em nosso país.  As publicações são eventuais A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), foi criada apenas em 1943, em São Paulo, iniciando  a Cardiologia como especialidade no Brasil,  com médicos fundadores ilustres como Edgard Magalhães Gomes, Alcir de Belo Campos, Pimenta Bueno, Waldemar Deccache, Luiz Feijó, Emiliano Gomes, Genival Londres, Vieira Romero e Dante Pazzanese.  As publicações regulares somente ocorrem a partir de criação dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, em 1948. A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro é fundada em 1955. Em 1945, Horácio K. Melo publica na Revista Médica Paulista um artigo intitulado “Angiocardiografia”  Computa-se a ele o primeiro artigo da especialidade no país.
            Eduardo de Souza realiza a primeira coronariografia no país em 1966, no Instituto Dante Pazzanese. Em 2 de dezembro de 1976, em Guarujá (SP) é criado o Departamento de Hemodinâmica e Angiocardiografia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1980, Leslie Aloan et al. publicam o primeiro livro na especialidade em português - “Hemodinâmica e Angiocardiografia: Obtenção de Dados, Interpretações e Aplicações Clínicas”.
            Em 1993, em Belo Horizonte, por ocasião do XLIX Congresso da SBC, este Departamento transforma- se na Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).  Em 1996, Leslie Aloan, cria a Sociedade de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do Estado do Rio de Janeiro (SOHCIERJ) Dos 35 membros efetivos à época, a  SOHCIERJ congrega hoje mais de 160 membros, e perto de1000 congressistas participaram do último evento em 2011.