sábado, 20 de junho de 2015

Dia Nacional de Combate à Asma



Leslie Aloan, Presidente do INASE

Esta data é divulgada no Brasil em junho, embora o dia Internacional seja comemorado em maio. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem com a asma. A doença é a principal causa de 250 mil mortes prematuras ao ano, passíveis de prevenção. Esta patologia, afeta cerca de 10% a 25% da população brasileira e é responsável por 400 mil internações hospitalares.

A asma é uma doença alérgica que ocasiona uma redução do calibre dos brônquios e bronquíolos, o que dificulta o controle da respiração. Caso não seja tratada com medicamentos específicos, a doença pode agravar-se e levar o indivíduo ao cansaço, falta de oxigenação e morte. Pessoas que tiveram asma na infância podem não apresentá-la quando adultos ou podem manifestar tais numa idade mais avançada.

A asma ocorre em todas as idades, embora seja mais comum na infância. Filhos de asmáticos têm mais chance de desenvolver a doença.

Nas medidas gerais, recomenda-se atenção à higiene domiciliar, como manter a casa arejada para evitar mofo ou umidade; encapar colchões e travesseiros, lavar a roupa de cama semanalmente; trocar o piso de carpete por pisos lisos ou sintéticos (que permitam fácil limpeza com pano úmido); evitar a exposição de animais constantemente dentro de casa; evitar o fumo dentro do domicílio.

Já o tratamento medicamentoso varia conforme a frequência de aparecimento dos sintomas e da gravidade dos mesmos, classificando-se a asma em intermitente, persistente leve, persistente moderada e persistente grave. Os medicamentos utilizados são divididos em duas classes: de alívio e manutenção, e possuem várias vias de administração, sendo a via inalatória a preferencial (através de nebulizadores, inaladores em spray – bombinhas – ou em pó). O tratamento de manutenção é o mais importante, porque reduz a inflamação das vias respiratórias e pode evitar novas crises e complicações da asma.

 Quando estão controlados das crises, os pacientes podem e devem praticar atividade física. Os esportes, especialmente os aeróbios (corrida, caminhada, natação,...), contribuem para a melhora da qualidade de vida de quem tem asma. Não existe uma modalidade preferida, o paciente deve procurar a que mais lhe agrade e se adapte.

Como quase todas as doenças crônicas, a asma não tem cura, mas tem controle; e é possível levar uma vida normal e praticamente sem limitações se o tratamento for realizado adequadamente e o acompanhamento médico for regular.

sábado, 6 de junho de 2015

Teste do Pezinho

Leslie Aloan, Presidente do INASE

Os bebês são submetidos a este exame logo que nascem, com o intuito de identificar quaisquer anormalidades e prevenir uma série de doenças. A triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho, é um dos exames mais importantes na hora de detectar possíveis doenças no neonato.

Com apenas algumas gotas de sangue colhidas do calcanhar do recém-nascido, o teste permite diagnosticar precocemente oito doenças, entre metabólicas, congênitas e infecciosas. Isto deve ser feito entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê, já que antes disso os resultados podem não ser muito precisos. O teste do pezinho chegou ao Brasil na década de 70 para identificar a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito.  Em 1992, o teste se tornou obrigatório em todo o território nacional.
Identifica-se oito doenças através do teste do pezinho:

Anemia falciforme — doença hereditária que altera a formação da hemoglobina, molécula responsável pelo transporte do oxigênio no sangue. Em decorrência dessa alteração, as hemácias ficam com forma de foice (daí o nome “falciforme”), o que dificulta sua locomoção e acaba lesionando tecidos.

Deficiência de biotionidase – é a falta da vitamina biotina no organismo. Sua deficiência resulta em convulsões, fraqueza muscular, queda de cabelo, surgimento de espinhas, acidez do sangue e baixa imunidade.

Fenilcetonúria — é uma doença genética caracterizada pela incapacidade de metabolizar a enzima fenilalanina-hidroxilase, responsável pela transformação do aminoácido fenilalanina em tirosina. A ausência de tirosina pode acarretar retardo mental.

Galactosemia — é uma doença genética que dificulta a conversão de galactose (açúcar presente no leite) em glicose. O resultado é o acúmulo de galactose no organismo, causando problemas de coagulação, icterícia (pele amarelada), hipoglicemia (baixa da taxa de glicose no sangue), glicosúria (excesso de glicose na urina), acidez do sangue e catarata.

Glicose 6-fosfato desidrogenase – distúrbio metabólico que causa alterações das enzimas fundamentais para proteção das células, especialmente das hemácias. Sem estabilidade, os glóbulos vermelhos podem morrer, causando anemia hemolítica.

Hipotireoidismo congênito – doença que faz com que a glândula tireoide não seja capaz de produzir quantidade adequada de hormônios tireoidianos, o que deixa os processos metabólicos mais lentos. Uma das principais consequências é a retardação mental.

Hiperplasia congênita da supra-renal — provoca uma deficiência na produção de hormônios pelas glândulas suprarrenais ou adrenais. Para compensar, a hipófise produz excesso de hormônios que estimulam as suprarrenais, que aumentam de tamanho e passam a produzir em excesso hormônios que levam à masculinização do corpo da criança. Além disso, pode ocorrer desidratação, perda de sal no organismo e vômitos.

Toxoplasmose — é uma doença infecciosa causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que pode causar calcificações cerebrais, malformações, doença sistêmica grave. Tardiamente, pode se expressar causando doenças da retina.


Versão nova do teste - Hoje já existe uma versão ampliada do teste do pezinho onde é possível identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem. Mas é ainda um recurso sofisticado e bastante caro, não disponível na rede pública de saúde.