segunda-feira, 27 de julho de 2015

DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO



Leslie Aloan, Presidente do INASE

No dia 27 de julho celebramos o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho. No início da década de 1970, o Banco Mundial ameaçou cortar financiamentos para o Brasil caso o quadro de acidentes de trabalho não fosse revertido. Isto resultou na publicação das portarias nº 3236 e 3237, em 27 de julho de 1972. Segundo estimativas da época, 1,7 milhão de acidentes ocorriam anualmente e 40% dos profissionais sofriam lesões.

O Ministério do Trabalho implementou as portarias que regulamentavam a formação técnica em Segurança e Medicina no Trabalho e atualizou o artigo 164 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

De acordo com a Previdência Social, acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, permanente ou temporária, que causa a morte, a perda ou a redução da capacidade para o trabalho.

Em 2009 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrava números assustadores. Eram registrados em média quase 270 milhões de acidentes não fatais e 160 milhões de novos casos de doenças ocupacionais.

O Brasil foi o primeiro país a ter um serviço obrigatório de Segurança e Medicina do Trabalho em empresas com mais de 100 funcionários. Era um período de fragilidade no tocante à segurança dos trabalhadores no Brasil. O número dos acidentes de trabalho era tão grande que começaram a surgir pressões exigindo políticas de prevenção, inclusive com ameaças do Banco Mundial de retirar empréstimos do país, caso o quadro continuasse.

Ao completar 40 anos, não se pode pensar em uma empresa que não esteja preocupada com os índices de acidentes de trabalho. A segurança é sinônimo de qualidade e de bem-estar para os trabalhadores. Financeiramente, também é vantajoso: treinamento e infraestrutura de segurança exigem investimentos, mas por outro lado evitam gastos com processos, indenizações e tratamentos de saúde em casos que poderiam ter sido evitados.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

O dia comemorativo da proteção florestal



Leslie Aloan, Presidente do INASE

No dia 17 de Julho, comemora-se no Brasil o Dia da Proteção das Florestas. O reflorestamento vem ganhando, cada vez mais, importância e força. Esta prática positiva, seja por objetivo comercial ou ambiental, consistindo na restauração da mata original de um determinado lugar, representa um conjunto de ações que ajudam e protegem o nosso ecossistema. Trata-se da limpeza dos terrenos, do plantio de novas árvores no lugar das cortadas, do cuidado com as novas plantas e da proteção dos animais e vegetais que as circundam respeitando e garantindo a biodiversidade local. Vem a propósito do tema um artigo que publiquei há pouco de título “O primeiro Sexo no Mundo”, editado pela Editora Monte Castelo, Rio de Janeiro, 2015, que reproduzo abaixo:

O Encontro das Lendas

            Nesse dia a floresta toda acordou muito agitada. Todos falavam ao mesmo tempo e até os animais agiam de modo desassossegado. As vilas estavam enfeitadas esperando alguma novidade. Era dia 22 de agosto, dia do folclore.

            A novidade anunciada era o encontro das lendas pela primeira vez. Seria às margens do rio Solimões, em Codajás, uma pequena cidade com menos de 20 mil habitantes, em plena floresta amazônica. 

            Lá estaria o Boitatá, uma cobra de fogo que protege as matas e os animais. Persegue e mata aqueles que desrespeitam a natureza. Este mito, de origem indígena, é um dos primeiros do folclore brasileiro. Este personagem é descrito em relatos do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre". Foi o primeiro a chegar.

            O Boto tinha presença confirmada e isso agitava as donzelas das cidades na periferia. Esta lenda também surgiu na região amazônica. Ele é um jovem, bonito e charmoso, que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, conduz as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto. O Solimões é o seu rio predileto. As senhoritas que fiquem alertas. Ele estava sendo ansiosamente esperado.

            O Curupira, assim como o boitatá, também é um protetor das matas e dos animais silvestres. É um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

            A Mãe-D'água se assemelha muito à sereia, com o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas. Nadava à beira do Solimões cantando e mostrando orgulhosamente os seus lindos cabelos negros.

            A Mula-sem-cabeça é fruto de um romance de uma mulher com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira, é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas (apesar de sem cabeça). É a lenda.

            A Comadre Florzinha é uma pequena fada que vive nas florestas do Brasil. Uma graça. Vaidosa e maliciosa possui cabelos compridos e enfeitados com flores coloridas. Vive para proteger a fauna e a flora. Pulava e cantava junto com suas irmãs. Elas vivem aplicando sustos e travessuras nos caçadores e pessoas que tentam desmatar a floresta. 

            Iara, também conhecida como a “mãe das águas”, oriunda de uma lenda de origem indígena, é uma sereia morena de cabelos negros e olhos castanhos. Costuma viver nas pedras das encostas dos rios, atraindo os homens com seu belo e irresistível canto. As vítimas seguem Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé pode livrar o homem do feitiço. Relatam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram mata-la, mas ela se antecipou e os matou primeiro, como defesa. Fugiu para as matas, mas o seu pai a capturou e, como punição, foi jogada no rio Solimões. Os peixes que ali estavam a salvaram, e como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia. 

            O Saci-Pererê também esteve lá. É um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Possui até um dia em sua homenagem: 31 de outubro. Surgiu entre os povos indígenas da região Sul do Brasil, durante o período colonial. Ao se expandir para o norte do país, o personagem sofreu modificações devido às influências da cultura africana. O Saci transformou-se num jovem negro com apenas uma perna, pois, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Apesar de uma perna só, era o mais animado dançarino das festividades.

            O Lobisomem e os vampiros não foram convidados por não serem originários das matas brasileiras. Aqueles esnobes europeus nem souberam da festa, que durou três dias e três noites, embalada pela música das tribos locais e pelas comidas das senhoras das cidades vizinhas. Os pássaros reforçavam a cantoria, e os outros animais se exibiam em animação nunca vista naquelas paragens. Até a coruja mal humorada aproveitou a comemoração. Ao final da festança, todos foram embora, já com data marcada para o fuzuê do ano que vem.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A Evolução dos Hospitais no Mundo

Leslie Aloan, Presidente do INASE

A expressão hospital deriva do latim ‘hospitalis’, de ‘ser hospitaleiro’, de ‘hóspede, estrangeiro’, e ‘aquele que hospeda’.

Remontam a 3000 anos a.C. dados sobre o exercício da medicina entre os assírio-babilônicos, regulamentada pelo Código de Hamurabi, que data de 2.250 anos a.C.

A vinda do Cristianismo e das Cruzadas, inaugurou uma nova fase, com os Hospitalários, na logística das guerras, imbuindo o ser humano de novas obrigações. Evolui a ajuda aos necessitados e aos doentes, bem como aos que se encontram em trânsito. Eles são socorridos com a ajuda financeira provida pelos cristãos. O decreto de Milão, de 313 d.C., instituído pelo imperador Constantino, dotando o Cristianismo da liberdade de ação, e o Concílio de Nicéia, de 325 d.C., o qual estabelecia o atendimento compulsório aos carentes e enfermos, constituíram a motivação final para o desenvolvimento dos hospitais.

As diaconias, nesta época, propiciavam os cuidados necessários aos que precisavam de socorro. Na cidade de Roma as acomodações eram mais vastas e bem estruturadas; alguns estudiosos, por esta razão, avaliaram estes recantos somente como locais de ajuda aos enfermos; mas não se pode esquecer que os miseráveis e os estrangeiros também eram recepcionados nestes espaços. Muitas ordens religiosas, durante o período medieval, também se dedicaram a este trabalho.

Um exemplar dos hospitais construídos em terras islâmicas, durante a Idade Média, é o do Cairo, edificado em 1283. Nele havia enfermarias distintas para pacientes com lesões, os que já estavam em recuperação, as mulheres, os doentes da visão, e assim por diante.

No continente europeu, em fins do século XVIII e princípio do XIX, como consequência da Revolução Industrial inglesa, impulsionada a partir de 1750, crescia uma nova e poderosa classe social, a burguesia, imbuída de novas aspirações nas esferas sócio-econômica e moral.

Neste contexto surgiram os hospitais modernos, estruturados com novas técnicas, aperfeiçoadas através de longos estudos na área da Medicina.


Fontes:

Franklin Santana Santos.Perspectivas Histórico-Culturais da Morte, in Franklin Santana Santos e Dora Incontri (orgs). A Arte de Morrer – Visões Plurais, Volume 1. Editora Comenius, Bragança Paulista, 2009.